Por Juliana Cunha, colaboração especialHá uns dias estou fazendo algumas pautas na Vila Mariana, no Catraca Livre. O Catraca é um projeto do Gilberto Dimenstein junto com a Folha de São Paulo para divulgar programações gratuitas ou muito baratas na cidade. Eu nunca imaginei que tivesse tanta coisa por dia, por hora acontecendo de graça em São Paulo. Acaba com a minha desculpa suprema para ficar em casa: falta de dinheiro.
Me lembra uma conversa recorrente que tenho com os meus amigos daqui sobre como o morador da cidade média acaba aproveitando melhor o que ele tem disponível. Se eu moro em Salvador e tem uma exposição de guardanapos de bar rabiscados pelo Picasso (0% brinks, já teve), isso mobiliza a cidade, eu vou, todo mundo vai. Chagall está no Masp há séculos e eu ainda não fui lá dar uma olhada, nenhum dos meus amigos foi. Isso faz com que, ironicamente, a pessoa que mora em Recife ou Porto Alegre ou Curitiba veja mais coisas ao longo da vida que a pessoa que mora em São Paulo. Aqui a gente tem a impressão de que tudo está servido, não precisamos nos mobilizar por nada. A cidade se move tão rápido que é irrestível se deixar levar pela inércia dela.







